O aquecimento global e o efeito estufa

O efeito estufa natural é um dos fenômenos que permite à Terra a conservação da vida. Quando a energia emitida pelo sol através de variados comprimentos de onda incide na atmosfera terrestre, alguns são refletidos por pequenas partículas na atmosfera ou pela superfície e algumas são absorvidas pelos vapores de água, camada de ozônio ou alguns tipos de fuligem, o que resta é então absorvido pela Terra causando o aquecimento na superfície terrestre mantendo uma temperatura média de 15°C e sustentando a vida. Para termos noção da importância que este efeito tem, caso o mesmo não existisse, a temperatura média da Terra seria de -18°C, abaixo da temperatura que nos proporciona a existência de água liquida!! [6]

Este efeito estufa natural, não existe só no Planeta Terra, é possível observa-lo também em diferentes intensidades em Vênus, Titan (Lua de Saturno) e até mesmo no Planeta Marte, tão almejado pela humanidade (mesmo que em pequena intensidade, pois a atmosfera de Marte ocupa apenas uma camada fina do planeta).[10]

O que acontece com o planeta em que vivemos é que esse efeito estufa é intensificado devido a fatores antropogênicos, pois amplificamos a emissão de substâncias na atmosfera que possuem um alto fator de aprisionamento de calor, ou seja, essas substâncias contribuem para amplificar o aquecimento da Terra, daí que temos o famigerado Aquecimento Global!

Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o CO2 é a molécula que mais contribui para a intensificação do aquecimento global hoje em dia, pois o emitimos em diversas formas, seja por atividade industrial, produção de energia, alimento ou combustão e em larga escala quando comparado com as outras moléculas emitidas que aprisionam o calor como Metano(CH4), Óxido Nitroso (N₂O), Ozônio (O3) até o vapor de água (H₂O) [5].

Gases que contribuem para o efeito estufa e suas estruturas geométricas que contribuem para determinação dos valores de aprisionamento de calor. Fonte: https://climate.nasa.gov/causes/

Mas calma, apesar de eu ter falado que o vapor de água também aprisiona calor, vou te explicar por exemplo qual a diferença entre o aprisionamento de calor da água, CO2, CH4 e N₂O. Apesar de todas estas moléculas aprisionarem calor na atmosfera, o CO2 é dentre elas a que mais demora para deixá-la. Hoje, sabemos que o metano(CH4) leva cerca de uma década para deixar a atmosfera (se transformando em CO2), o óxido nitroso (N₂O) cerca de um século, o vapor de água cerca de dez dias! Já para o CO2 as coisas são um “pouco” mais preocupantes… Quando uma quantidade desse gás é liberado, cerca 40% fica 100 anos na atmosfera, 20% fica 1.000 anos e 10% fica por 10.000 anos!! [12] Isto significa que sem uma forma de retirar o CO2, direcionamos uma fração do gás na atmosfera de forma irreversível para escala de tempo humana!!!! Prejudicando toda uma geração que nem pensa em nascer ainda.

Todos esses dados apresentados anteriormente nos leva então à perguntas, “O que nos levou a emitir tanto CO2 na atmosfera?” e “Por que a dificuldade para diminuir essa emissão nos dias de hoje?”. Para responder essas perguntas, precisamos voltar para o fim do século XVIII, quando tivemos na Europa o começo da Revolução Industrial e Energética que nos levou a uma grande produção de fábricas e maquinários que para funcionamento queimavam uma grande quantidade combustível fóssil e introduziram uma abundância de mercadorias, materiais e meios de subsistência que começaram então com a liberação desses gases responsáveis pela amplificação do efeito estufa na Terra.

Local de industrias e fabricas e emissão de CO2. Bournville, Inglaterra, 1926. Fonte: Wellcome Images

Com a revolução industrial, iniciamos um processo de construção de um ideal progressista de crescimento econômico desenfreado a qualquer custo, ignorando os danos ao meio ambiente, instaurando desigualdades, injustiças, politicas de obsolescências programadas e ilusões de bem estar. Juntamente com esse crescimento econômico, tivemos um crescimento populacional, e essa relação nos trouxe uma maior pegada ecológica para cada cidadão, onde vemos no gráfico abaixo, uma correlação no período de pós-revolução entre emissão de carbono e crescimento populacional, correlação essa comprovada pelo IPCC [2] que salienta o fato de que o crescimento populacional não é a única fonte responsável pelo crescimento do número emissão de CO2.

População Global e Emissão de CO2 (por milhões de toneladas) x Ano , Fonte: https://overpopulation-project.com/population-growth-is-a-threat-to-the-worlds-climate/

E viemos desde então, desmatando nossas florestas, degradando solos, fontes de água potável e liberando , defendendo uma noção de crescimento desenfreado necessário, esses gases chamados de gases estufa na atmosfera, duplicando a quantidade deles entre 1970 e 2004 e proporcionando à atmosfera a maior quantidade de CO2 já vista desde 650.000 anos atrás!! [3].

Abaixo, de titulo “Níveis de aprisionamento de calor dos gases” ,vemos à esquerda um gráfico onde temos uma diferença notável entre as quantidades em parte por milhão de CO2, N₂O e CH4 em relação a pré-revolução industrial. Na direita vemos o considerável crescimento em partes por milhão do dióxido de carbono nos anos de 1958 até 2013, com notáveis variações de curto prazo devido a ações naturais de processos biológicos, químicos e crescimento de vegetação em estações.

Esse grande abuso na emissão de gases estufa, ao longo do século XX, trouxe então às nações a grande tarefa de reduzir essas emissões a fim de garantir um futuro à humanidade, onde ocorreu a organização por exemplo da Conferência de Estocolmo em 1974, ECO-92 (1992), da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (1994), Protocolo de Kyoto (1997), e muitas outras reuniões até a mais recente 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia. Porém, apesar desses acordos definirem responsabilidades aos países quanto a redução da emissão de gases estufa e garantia de um desenvolvimento de uma economia sustentável, a noção de crescimento da sociedade, absorvida por uma economia de crescimento pelo crescimento, não tem como sustentar o decrescimento necessário para implementar medidas significativas para conservação do Planeta Terra. Decrescimento este, que está diretamente ligado à redução de propagandas consumistas desnecessárias, desconstrução de um ideal mercadológico de obsolescência programada e ao questionamento dos comportamentos estimulados pelo sistema, como obsessão pelo trabalho, competitividade desenfreada, consumismo exacerbado e valorizando mais o altruísmo e a responsabilidade social, diminuindo o peso sobre o ambiente de ideais econômicos que não trazem beneficio algum à humanidade.

Assim, concordando com Serge Latouche em “As vantagens do descrescimento” [13] e aprendendo a utilizar o programa em seis “R”, proposto na convenção do Rio em 1992 : Reavaliar, Reestruturar, Redistribuir, Reduzir, Reutilizar e Reciclar, talvez possamos seguir em frente e mudar esse fim catastrófico, o qual estamos levando o planeta com os comportamentos atuais.

Referências (Lembrando que o(a) leitor(a) é mais que convidado(a) a ler elas caso se interesse pelo tema)

  1. http://www.geo.umass.edu/courses/geo458/Readings/GHG_an_uk_climate09.pdf
  2. IPCC, 2018: Summary for Policymakers. In: Global Warming of 1.5°C. An IPCC Special Report on the impacts of global warming of 1.5°C above pre-industrial levels and related global greenhouse gas emission pathways, in the context of strengthening the global response to the threat of climate change, sustainable development, and efforts to eradicate poverty [Masson-Delmotte, V., P. Zhai,H.-O. Pörtner, D. Roberts, J. Skea, P.R. Shukla, A. Pirani, W. Moufouma-Okia, C. Péan, R. Pidcock, S. Connors, J.B.R.Matthews,Y. Chen,X. Zhou, M.I. Gomis, E. Lonnoy, T. Maycock, M. Tignor, and T. Waterfield (eds.)]. In Press.
  3. https://www.nationalgeographic.org/article/greenhouse-effect-our-planet/
  4. Dunn, Margery G. (Editor). (1989, 1993). “Exploring Your World: The Adventure of Geography.” Washington, D.C.: National Geographic Society.
  5. https://www.ucsusa.org/resources/why-does-co2-get-more-attention-other-gases
  6. https://www.iag.usp.br/siae97/meteo/met_estu.htm
  7. https://www.cam.ac.uk/research/news/industrial-revolution-damaging-psychological-imprint-persists-in-todays-populations
  8. https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/o_que_e_pegada_ecologica/
  9. – Antropoceno: a Era do colapso ambiental, José Eustáquio Diniz Alves, CEE-Fiocruz, 2020.
  10. https://www.esa.int/Science_Exploration/Space_Science/Venus_Express/Greenhouse_effects_also_on_other_planets
  11. https://www.c2es.org/content/heat-waves-and-climate-change/
  12. (2014) Ask the Experts: The IPCC Fifth Assessment Report, Carbon Management, 5:1, 17-25
  13. As vantagens do descrescimento, Serge Latouche

Sugestões de vídeos para aprendizagem:

Abaixo temos uma série de videos do Youtuber Paulo Miranda Nascimento – https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/14818/paulo-miranda-nascimento/ sobre o aquecimento global, onde o mesmo entrevista vários pesquisadores a fim de esclarecer algumas fake news a cerca do tema.

Depois de assistir a este video, se quiser saber mais sobre o impacto do aquecimento global nos oceanos:

https://niwa.co.nz/education-and-training/schools/students/climate-change/oceans

Caso não saiba inglês, clique no botão de traduzir 🙂

Depois de assistir a este vídeo, se quiser saber um pouco mais sobre o aquecimento global e gelo:

https://nsidc.org/cryosphere/climate-change.html

https://www.nationalgeographic.com/environment/article/big-thaw

Novamente, caso não saiba inglês, clique em traduzir 🙂

Depois de assistir a este video, se quiser saber um pouco mais sobre os efeitos do aquecimento global na temperatura do planeta:

https://www.ucsusa.org/resources/why-does-co2-get-more-attention-other-gases

Você pode checar também a referência [2]

Indicação de música para reflexão ao leitor: Se continuarmos desmatando e poluindo o ambiente, talvez não tenhamos como fugir do nosso destino…

Indicação de documentario:

Indicação de leitura:

ROQUE Tatiana – O negacionismo no poder

Por: Diego Barreto

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